sábado, 18 de agosto de 2012

OS FILHOS DE RODRIGO



O Major Rodrigo de Vasconcellos Bittencourt e a sua esposa Umbelina saíram das Minas de Rio de Contas em fins do século XIX, deixando o filho Faustino em Livramento (Vila Velha) e tomando o rumo de Casa Branca, em São Paulo. Anos depois, por volta de 1914,  Faustino visita o pai levando consigo o seu filho mais velho, Osório, recém casado. Não há contudo outros relatos de contatos sistemáticos entre os ramos “baiano” e “paulista” da família.
Ao que tudo indica esta migração esteve relacionada ao crescimento econômico daquela região sulista, ao passo que a atividade econômica no alto sertão da Bahia, nem de longe, apresentava o vigor da época do ciclo do ouro.
Os reais motivos que levaram Rodrigo e família a migrar e as relações de parentesco que estabeleceram ao longo da vida é uma questão que ficou sem resposta por muito tempo. Aos poucos, no entanto, foram surgindo indícios que, se não respondem de todo as dúvidas e questionamentos, vão lançando luz sobre o tema e permitindo que se conheça um pouco mais sobre os parentes que se foram. A partir de conversas com parentes mais experientes e idosos e de documentos encontrados recentemente, foi possível chegar a um grande número de nomes de pessoas, homens e mulheres, que adotavam o sobrenome Vasconcellos Bittencourt, seja na Bahia quanto em São Paulo.
Sobre os ancestrais de Rodrigo sabe-se que três irmãos Vasconcellos Bittencourt vindo dos Açores haviam aportado em terras baianas no fim do século XVIII, início dos século XIX.
Do lado dos seus descendentes, contudo, identificou-se, de início, três filhas, com base em informações obtidas em cartório de registro de casamento ou nascimento de Tambaú (SP). São elas: Eugenia, Umbelina e Camilla, todas nascidas nas Minas do Rio de Contas. Posteriormente, o achado de antigas anotações familiares deram conta da existência de mais irmãos: Zacarias, Fernando e Osório - todos "de Vasconcellos Bittencourt".
Posteriormente, surge outra irmã, aparentemente a mais velha - Virgínia, nascida em 1867 e morta precocemente em 1900, quando suas irmãs mais novas sequer haviam  se casado.
Sobre estes irmãos e irmãs, obteve-se informações escassas, exceto quanto a Osório Vasconcellos Bittencourt, que atuou nos Correios e Telégrafos de Casa Branca. Mensagens trocadas com um dos seus descendentes – um neto – confirma as informações de que conviveram com Osório, suas irmãs Eugenia ( também identificada como Tia Dona)  e Umbelina. Osório, filho de Rodrigo, teve dez filhos.
O nome de Osório constam ainda de decretos de nomeação para membros da Guarda Nacional, em Casa Branca. Nomeações estas comuns no final do século XIX e inicio do século XX.
No caso de Virgínia, a informação vem mais completa. Uma árvore genealógica diligentemente construída por seu bisneto, traz registros fotográficos de Rodrigo e Umbelina, assim como as datas de nascimento(1845) e morte(1937) de Rodrigo, o que até então eram somente estimativas. Informa a mesma fonte ter Virgínia Vasconcellos Bittencourt (1867-1900) casado com César Cândido Spinola (1866-1936) ainda em Rio de Contas, e que tiveram cinco filhos: Octacílio (1888-1910), Osvaldo, Ormesinda (1891-1968), Almerinda (1893-1972) e Maria (1901-     ). Destes, pelo menos Octacílio, o primeiro filho de Virgínia e César Cândido, nasceu em Rio de Contas.


Umbelina

Rodrigo




Os irmãos Rodrigo e José Vasconcellos Bittencourt (Cel. Cazuza) e seu primo Augusto eram proprietários da Fazenda Terra Vermelha, onde casaram as filhas e se viu nascer os netos e netas de Rodrigo e Umbelina.
Em Casa Branca, deve-se observar que há variados registros históricos sobre a ocupação da região por açorianos, entre os quais um decreto real de D. João VI, datado de 25 de outubro de 1814, determinando a construção de vinte e quatro casas para ilhéus oriundos daquele arquipélago português. Os colonos teriam como objetivo o desenvolvimento da agricultura da região.
A presença de açorianos naquela municipalidade paulista pode significar que houve motivações adicionais para o deslocamento da família desde o sertão baiano, ou seja, outras ligações familiares ou de aproximação com patrícios portugueses, pode ter estimulado a migração.
Por enquanto é o que temos. Abaixo, apresenta-se um resumo dos descendentes de Rodrigo e Umbelina a partir de todas as informações coletadas. Adota-se na transcrição uma sistemática características dos estudos genealógicos, relacionando pais, filhos, netos.

1.        RODRIGO DE VASCONCELLOS BITTENCOURT (I)
e UMBELINA DE VASCONCELLOS MAGALHÃES e tiveram os seguintes filhos:

2       M   i     FAUSTINO DE VASCONCELLOS BITTENCOURT
3       F    ii    VIRGÍNIA DE VASCONCELLOS MAGALHÃES
4       F   iii    EUGÊNIA DE VASCONCELLOS MAGALHÃES
5       F   v    UMBELINA DE VASCONCELLOS MAGALHÃES
6       F   iv   CAMILLA DE VASCONCELLOS MAGALHÃES
7      M   vi   OSÓRIO DE VASCONCELLOS BITTENCOURT
8      M   vii   ZACARIAS DE VASCONCELLOS BITTENCOURT
9      M   viii  FERNANDO DE VASCONCELLOS BITTENCOURT

2. FAUSTINO DE VASCONCELLOS BITTENCOURT (RODRIGO DE VASCONCELLOS BITTENCOURT)
       FAUSTINO casou-se com CAMILA RIZÉRIO DE MOURA e tiveram os seguintes filhos:
10     M    i     OSÓRIO RIZÉRIO DE VASCONCELOS
11     M    ii    JOSÉ MOURA DE VASCONCELOS
12     F    iii   BELA RIZÉRIO DE VASCONCELOS
13     M   iv   VIRGÍLIO RIZÉRIO DE VASCONCELOS
14     M   v    CAMILO MANOEL RIZÉRIO DE VASCONCELOS
15     M   vi   MANOEL CAMILO
       
FAUSTINO teve um relacionamento com SERGIA e tiveram as seguintes filhas:
16      F    i     ANÉSIA
17      F    ii    MARIQUINHA
18      F    iii   ZINZINHA
19      F    iv   FILDELCINA

FAUSTINO casou-se com FRANCISCA MARIA DE VASCONCELLOS CASTRO e tiveram como filho:
20      M    i    LEÔNIDAS

3 VIRGÍNIA DE VASCONCELLOS MAGALHÃES (RODRIGO DE VASCONCELLOS BITTENCOURT)  nasceu em 1867, Rio de Contas (BA) e faleceu provavelmente em 1900, em  Tambaú (SP),
VIRGÍNIA casou-se com CESAR CANDIDO SPINULA nascido em Salvador em 25 de dezembro de 1866 e falecido em 25 de JUL de 1942, em Casa Branca (SP)
VIRGINIA (nome de casada VIRGÍNIA DE VASCONCELLOS SPINULA) E CÉSAR tiveram os seguintes filhos:

21    M  i   OTACÍLIO DE VASCONCELLOS SPINULA
22    M  ii   OSVALDO DE VASCONCELLOS SPINULA
23    F   iii  ORMESINDA DE VASCONCELLOS SPINULA
24    F   iv  ALMERINDA DE VASCONCELLOS SPINULA
25    F   vi  MARIA DE VASCONCELLOS SPINULA

4 EUGÊNIA DE VASCONCELLOS MAGALHÃES (RODRIGO DE VASCONCELLOS BITTENCOURT) nasceu em aproximadamente 1884, em Rio de Contas (BA).
EUGÊNIA casou-se com MANOEL BALBINO NOGUEIRA DE CARVALHO nascido aproximadamente em 1883
EUGÊNIA e MANOEL BALBINO tiveram os seguintes filhos:

26     M   i   JOSÉ VASCONCELLOS NOGUEIRA DE CARVALHO
27     F    ii UMBELINA DE VASCONCELLOS CARVALHO
28     F   iii ISAURA LUZIA CARVALHO Nascida em  16 NOV 1912 em Tambaú (SP).

5. UMBELINA DE VASCONCELLOS MAGALHÃES (Filha) OU UMBELINA DE VASCONCELLOS CARVALHO (RODRIGO DE VASCONCELLOS BITTENCOURT)  nascida em aproximadamente 1884 em Rio das Contas (BA)
UMBELINA casou-se com ANTÔNIO NOGUEIRA DA SILVEIRA em 27 MAI de 1909 em Tambaú (SP) e tiveram como filho:

29  M  i  OTACÍLIO NOGUEIRA DE CARVALHO nasceu em 20 APR 1912 in Tambaú (SP).

6. CAMILA DE VASCONCELLOS BITTENCOURT (RODRIGO DE VASCONCELLOS BITTENCOURT)  nasceu em  1890 em Rio de Contas, Bahia
CAMILLA casou-se em 24/JUN/1908, aos 18 anos, com JOSÉ GARCIA DE FIGUEIREDO, 21 anos, solteiro, lavrador, natural de Casa Branca, filho legítimo de JOSÉ GARCIA CERQUEIRA LEAL e D. MARIANNA CANDIDA DE FIGUEIREDO
CAMILLA E JOSÉ tiveram os seguintes filhos:

30      F   I     ISOLINA nascida em 01 AUG 1909 in Tambaú (SP)
31      M  ii    CARINO nascido em 05 FEB 1911 in Tambaú (SP)
32     M   iii   NICANOR nascido em JAN 1913 in Tambaú (SP). Falecido em 22 OUT 1913 in Tambaú (SP)
33     M  iv   ANTENOR DE FIGUEIREDO nascido em 09 SEP 1914 em Tambaú (SP). Falecido em 30 APR 1984 in Assis (SP)

7      OSÓRIO DE VASCONCELLOS BITTENCOURT (RODRIGO DE VASCONCELLOS BITTENCOURT) nascido em Rio de Contas em fins do século XIX.
OSÓRIO Casou-se com AMANDA DE VASCONCELLOS BITTENCOURT e tiveram os seguintes filhos:

34    F  i      ALBERTINA DE VASCONCELLOS BITTENCOURT
35   F  ii     ALICE DE VASCONCELLOS BITTENCOURT
36    F  iii    CORINA DE VASCONCELLOS BITTENCOURT
37    F  iv    LEONILA DE VASCONCELLOS BITTENCOURT
38    F  v     NAIR DE VASCONCELLOS BITTENCOURT
39    F  vi    GENNY DE VASCONCELLOS BITTENCOURT
40    F  vii   APARECIDA DE VASCONCELLOS BITTENCOURT
41   M  viii   ALVINO DE VASCONCELLOS BITTENCOURT
42   M  ix    AUGUSTO DE VASCONCELLOS BITTENCOURT
43   M  x     PLINIO DE VASCONCELLOS BITTENCOURT

8      ZACARIAS DE VASCONCELLOS BITTENCOURT(RODRIGO DE VASCONCELLOS BITTENCOURT) nascido em Rio de Contas entre 1875-1890
         ZACARIAS casou-se com OLINDA MEIRA BITTENCOURT e tiveram os seguintes filhos:
         44  M  i      LAURINDO DE VASCONCELLOS BITTENCOURT
         45  M ii      OLAVO DE VASCONCELLOS BITTENCOURT
         46  M iii     ELÍDIO DE VASCONCELLOS BITTENCOURT
         47  F  iv     MATILDE DE VASCONCELLOS BITTENCOURT CARVALHO
         48  F  v      EROTILDE DE VASCONCELLOS BITTENCOURT OLIVEIRA

         49  F  vi     CLOTILDE  DE VASCONCELLOS BITTENCOURT
         50  F  vii    DOMETILDE DE VASCONCELLOS BITTENCOURT

9      FERNANDO DE VASCONCELLOS BITTENCOURT (RODRIGO DE VASCONCELLOS BITTENCOURT) nascido provavelmente em Rio de Contas em fins do século XIX.
         FERNANDO casou-se com ORDÁLIA GARCIA LEAL e tiveram filhos:

           51    M   i      ALVINO VASCONCELOS LEAL
         52    M   ii     FERNANDO VASCONCELOS LEAL
         53    M   iii    ALÍPIO VASCONCELOS LEAL
         54    M   iv    EDUARDO VASCONCELOS LEAL
         55    M   v     ALCIDES VASCONCELOS LEAL
         56    M   vi    ADELINO VASCONCELOS LEAL
         57    F    vii   CLARICE VASCONCELOS LEAL
         58    M   viii  ARLINDO VASCONCELOS LEAL
    


terça-feira, 14 de agosto de 2012

MARCOLINO MOURA, O ABOLICIONISTA


Marcolino Moura, natural das Minas do Rio de Contas, viveu entre o segundo quartel do século XIX e inicio do século XX, descendendo de abastada e poderosa família na região do Alto Sertão da Bahia. Embora fossem os Moura possuidores de grande número de escravos, este fato não impediu que Marcolino se destacasse no panorama nacional como um líder abolicionista.

Um registro importante sobre a prática escravista da família Moura tem como figura central o seu avô Martiniano José de Moura Magalhães. Era abril de 1817, e Marcolino só viria ao mundo 21 anos depois, mas naquele dia, o seu avô mandou chamar várias pessoas da sua relação de amizade para testemunharem a elaboração da carta de alforria de uma sua escrava chamada Martinha.

Alforria esta bem paga, pois custara a Martinha não apenas o seu trabalho, a humilhação da perda da liberdade e os maus tratos costumeiros, mas também teve que pagar a quantia de 130 mil réis! Uma indenização paga ao seu "dono", e aceita por ele em razão do "bom comportamento" e da forma como a escrava havia tratado ano após ano "com amor e zelo os filhos pequenos de seu senhor".

Para formalizar o ato, compareceram escrivão, testemunhas e não faltou, inclusive, recibo da operação, ficando tudo devidamente registrado em cartório. Dias depois, entretanto, aconselhado por um dos seus filhos, resolve voltar atrás alegando ser insuficiente o valor recebido como pagamento.

Martinha, não só fugiu como ingressou na Justiça, que diante da documentação apresentada e depoimento das testemunhas do ato de alforria, não teve outra alternativa senão dar ganho de causa à ex-escrava, garantindo-lhe a liberdade (1).

Se o neto chegou a conhecer esta história não se sabe, mas o certo é que desde cedo Marcolino (1838-1910) teve contato com as ideias libertárias que circulavam pela Escola de Direito de Recife, onde ingressou no início da década de 1860. Apesar de afastar-se em 1865, para lutar como voluntário na Guerra do Paraguai, retomou os estudos, e dois anos depois, concluiu o curso, tornando-se bacharel.

Na Escola de Recife foi contemporâneo de Joaquim Nabuco (1849-1910), Castro Alves (1847-1871) e Rui Barbosa (1849-1923), todos eles abolicionistas.

Membro do Partido Liberal e da Sociedade contra Escravidão, Marcolino foi Deputado Provincial na Bahia, em seguida Deputado Federal (1877, 1878-1881), Deputado Constituinte (1890-1893), e novamente Deputado Federal (1894-1896, 1897-1899, 1900-1902, 1903-1905). No total, desenvolveu a atividade parlamentar por quase 20 anos.

O surgimento das candidaturas abolicionistas, não apenas a de Marcolino, se baseava na visão de que as mudanças deveriam vir através do Parlamento. Por isso mesmo, o movimento contra a escravidão se desloca dos teatros para as ruas, com a organização de bazares, quermesses, reuniões, passeatas, procissões cívicas, comícios. Este foi também o caso de Joaquim Nabuco, Jose Mariano, José do Patrocínio, e outros. “Confiantes na permeabilidade do sistema político às suas demandas, os abolicionistas investiram forte numa mudança por dentro das instituições políticas, num ciclo de mobilização dos votos." (2)

Nabuco e o grupo de abolicionistas ao qual se vinculava baseavam-se na defesa de uma solução negociada, no âmbito do parlamento, sem rupturas ou violência. Neste sentido, merece registro o debate no Congresso em torno do "Projeto sobre o elemento servil" do qual participavam entre outros Joaquim Nabuco e Marcolino Moura, em março de 1879. Tratava-se de discutir uma proposta que instituía um imposto sobre o rendimento auferido com a atividade produtiva com a participação de escravos. Com o tributo arrecadado seria constituído um Fundo de Emancipação para a supressão gradual da escravidão.

Neste debate, Nabuco fundamentava a proposta, sendo contestado pelo deputado conservador Martinho Campos alegando que justamente os proprietários de escravos é que não deveriam pagar impostos, pois "o escravo não representa senão o trabalho do senhor", nenhum caiu do céu, e arremata: "temos a pior das propriedades". Neste momento, Marcolino Moura sai em apoio a Nabuco e declara: "é a pior das propriedades, mas os senhores a defendem com todas as forças" (3).

Marcolino não foi pródigo em discursos em sua passagem pela Câmara Federal. Certamente, seus pronunciamentos mais contundentes estiveram relacionados à defesa de sua iniciativa de lei sobre a aposentadoria dos militares que atuaram na Guerra do Paraguai. Sobre a questão da escravidão, conforme registrado em uma breve descrição das suas atividades elaborada pela Câmara dos Deputados, sobressaem suas intervenções sobre "O elemento servil", nas sessões de 4 de setembro e 12 de novembro de 1880 (4).

Não sendo um homem de muitas palavras, seus apartes eram breves. Numa publicação editada pelo Congresso e dedicada aos discursos de Joaquim Nabuco acerca da Abolição registram-se em suas 553 páginas, sete intervenções de Marcolino Moura, nenhuma delas se estendendo por mais de uma frase (5).

Se não foi homem de palavras, no entanto, não se pode dizer que não fora homem de ação, o que se pode constatar nas notícias sobre a sua participação na Guerra do Paraguai. Sobre este o assunto ver em http://vasconcelosbahia.blogspot.com.br/2012/05/um-moura-na-guerra-do-paraguai.html

Marcolino Moura foi indiscutivelmente um abolicionista, além das suas intervenções no Congresso, integrou o Grupo Abolicionista, participou da criação da Sociedade Brasileira contra a Escravidão e do jornal Abolicionismo.

Para compreender a natureza deste movimento que levou jovens de famílias escravistas a abraçar o abolicionismo, tomemos as palavras de Pedro Calmon. O renomado historiador baiano considera que a Abolição foi "um movimento aristocrático". Foram os interessados materialmente na exploração do escravo, a ala juvenil da casta proprietária, uma parte da "nobreza agrícola" dos cafezais e dos canaviais, que golpeou "com o braço robusto, o regime servil" (6).

Parte da explicação para o envolvimento de Marcolino Moura contra a escravidão, inclusive obtendo apoio eleitoral de figuras proeminentes do alto sertão como o Coronel Exupério Canguçu, pode estar na perda da importância relativa da prática escravista na região com a migração de grandes contingentes para São Paulo, o que fez diminuir em 55,1% a população escrava da Bahia, somente entre 1864 e 1874 (7).

Por tudo isto cabe resgatar a importância deste baiano da Boa Sentença, terra dos Moura, atualmente distrito do município de Rio de Contas, batizado com o nome do ilustre filho Marcolino.

NVJ 14/08/2012

Fontes:
(1)       "Senhores nos bancos dos réus", de Ricardo Tadeu Caíres Silva.
(2)       "A teatralização da política: a propaganda abolicionista" Angela Alonso - Anais do XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH • São Paulo, julho 2011
(3)       Joaquim Nabuco - Discursos Parlamentares (1879-1889), Instituto Progresso Editorial, São Paulo
(4)       Câmara dos Deputados, pesquisa elaborada a partir do SILEG – Módulo Deputados, em 27/03/2012.

(5)       Perfis Parlamentares 58, edição de 2010, com seleção de discursos elaborada por Gilberto Freire.
(6)       A Abolição. In: A Revista do Arquivo Municipal". São Paulo. Pedro Calmon, 1938, citado em tese de Ricardo Tadeu Caires Silva "caminhos e descaminhos da Abolição", 2007.
(7)       Bahia Sec. XIX, uma Província do Império. Kátia Mattoso. RJ, 1992. 

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Um Rizério de Moura em Barra da Estiva

A importância dos Rizérios de Moura na povoação do sertão extrapolou os limites de Brumado. Este é caso de Juvêncio, irmão de Camila, e filho de Wenceslau Rizério de Araújo e Constança Rosa de Moura. Juvêncio Rizério de Moura é apontado como um dos fundadores de Barra da Estiva, tendo chegado ali por volta de 1870-1880. 

Seu filho, Waldemar Teixeira de Moura (1) o descreve como um grande bandeirante, de família de médio recurso financeiro. Juvêncio deixara a casa dos pais aos dezoito anos e com recursos obtidos por empréstimo junto a familiares, seguiu para o norte de Minas - região do Serro e Arassuaí. Lá teria adquirido uma "boa e poderosa tropa de burros e mulas" o que lhe permitiu não apenas saldar os empréstimos contraídos, assim como arrecadar o bastante para empreender novos negócios com eqüinos. 

Emancipado, seguiu para Barra da Estiva, à época centro da cafeicultura regional, e ali adquiriu a Fazenda São Bento, estabelecendo comércio na cidade, acumulando riquezas e propriedade agrícolas. Por volta de 1910, transfere-se para a região de Palmas de Monte Alto, onde se fixou, criou os filhos e adquiriu novas terras. 

Há vários registros sobre a participação política de Juvêncio Rizério em Barra da Estiva, apontado não apenas como um dos seus fundadores, mas também como um dos seus primeiros intendentes - entre 1897 a 1901. Nestas referências, encontráveis em páginas da internet, há também prováveis equívocos a exemplo da informação de que teria sido o último intendente do município entre 1923 e 1931. Equívoco, porque no relato do seu filho Waldemar, não resta dúvida de que Juvêncio Rizério de Moura faleceu em outubro de 1928, antes, portanto, que se findasse o período de governo mencionado. Por outro lado, a data apontada como equivalente ao primeiro mandato é compatível com a época em que vivia na Barra da Estiva, visto que seu deslocamento para a região do São Francisco se dá somente em 1910. 

Sabe-se que sua irmã Camila e o esposo, Faustino, se transferiram de Livramento para Barra da Estiva provavelmente no mesmo período, mas não há registro sobre a convivência familiar. É fato que, depois de ali residir por alguns anos, Camila faleceu, em 1894, em decorrência do seu quinto parto. Uma lápide instalada no altar da Igreja de Bom Jesus, registraria o seu passamento com a inscrição do seu nome assim como data de nascimento e morte. 

O falecimento em decorrência de parto era uma verdadeira epidemia, no sentido de ser situação corriqueira. De parto também faleceu a primeira esposa de Juvêncio, Dona Colosinha Souto, logo na sua primeira gestação. Tendo se casado novamente, o primeiro filho de Juvêncio com Eliza Oliveira Teixeira de Moura, também morreria de parto, o que evidencia a carência de   de saúde na localidade.

Juvêncio teve ao todo três filhos: Georgina, Maria Adalgisa e Waldemar, este nascido em 1912. 

Observe-se que, entre os filhos de Wenceslau e Constança, Juvêncio foi o primeiro a desempenhar função de "gestor municipal", para usar um termo moderno, antecipando-se assim, às experiências de Marcolino Rizério de Moura, seu irmão, e de Fidelcino Rizério, seu sobrinho, filho de Augusta, ambos em Brumado. 

(1) Waldemar Teixeira de Moura registrou numa publicação autobiográfica intitulada "A vida de um sertanejo", importantes informações sobre o seu pai Juvêncio que servem de fonte para este texto.

domingo, 17 de junho de 2012

Algodão, locomóveis e bolandeiras

Na Lagoa do Leite, município de Brumado, Osório fazia o beneficiamento primário do algodão plantado por ele mesmo ou por terceiros. Era um sistema rústico de descaroçamento, ou seja, de separar a pluma do caroço. O equipamento, também chamado de bolandeira, já representava uma evolução face às primeiras técnicas, mas mesmo para a década de 1940, era tecnologicamente ultrapassado.

O mecanismo começou a ser montado, em 1913, com a ajuda do pai de Isaura, João Pedro de Lima, logo após o casamento da filha, e entrou em operação pouco tempo depois.

Observe-se que no final do século XVIII, mais precisamente em 1793, um cidadão norte-americano, chamado Eli Whitney, inventara um descaroçador movido a vapor, que representou um grande avanço. Era a Revolução Industrial que a partir da Inglaterra, mas também nos Estados Unidos, iniciava uma grande transformação na produção e na economia mundial. 

Enquanto isto, prevalecia no Brasil um decreto real de 1785 que havia ordenado a destruição, em sessenta dias, de todos os "teares de galões, de tecidos, ou de bordados, de ouro e de prata, de veludos, brilhantes, cetins, tafetás ou outra qualquer qualidade de seda; de belbutes, chitas, bombazinas, fustões ou outra qualquer qualidade de fazenda de algodão ou linho, branca ou de cores; e de panos baetas, droguetes, saetas, ou de qualquer outra qualidade de tecidos de lã"(1). Tal proibição só foi revogada em 1808, ou seja, mais de 20 anos depois, com a chegada de D. João VI.

A partir daí começa uma primeira fase da industrialização brasileira, que teve um impulso maior no final do século XIX, considerando-se que o equivalente da nossa "revolução industrial" tenha se iniciado em 1930 a 1956.

Nos sertões do Brasil este processo foi ainda mais lento. No Nordeste brasileiro, há registros históricos de "locomóveis" - como eram chamados estes engenhos de ferro a vapor, desde meados do século XIX. Mas essas máquinas conviveram durante certo tempo com outras movidas por tração animal. Neste período não havia motores elétricos no sertão.

Para mover as engrenagens da descaroçadora, Osório utilizava quatro bois, cujas cangas eram amarradas por "tiradeiras" numa "manjarra" - nome da peça que se articulava com polias e rodas que, enfim, movia cilindros, "serras" e "garfos". Se os bois moviam numa direção era para descaroçar algodão, se eram tocados na direção oposta, é porque estava se produzindo farinha de mandioca. Neste caso, a engenhoca era acoplada a "rodas" típicas de casas de farinha.

Enquanto Osório utilizava um descaroçador movido a bois, o vizinho Zezé - José Augusto dos Santos(2), mantinha na região um "locomóvel". Era uma máquina de ferro que dispunha de uma caldeira cujo vapor era produzido a partir da queima de lenha. Desta forma as estruturas se movimentavam sem precisar o uso de animais.

Naturalmente, havia um ganho de produtividade na utilização da máquina a vapor, o que contribuiu para que paulatinamente o descaroçamento realizado no sistema a base de tração animal deixasse de  ser vantajoso em função da pequena escala da produção. 

Já em meados do século XX, os locomóveis foram gradativamente sendo abandonados, superados pela consolidação das usinas de algodão, estruturas maiores e com produtividade crescente.

A experiência de Osório, mesmo com equipamentos que ficaram obsoletos, estimulou os seus descendentes a se manterem na atividade algodoeira. Seja no plantio ou no processamento industrial, filhos, netos e bisnetos continuaram a sua saga, enfrentando cada um ao seu tempo, outros obstáculos: maiores custos com pesticidas para reduzir as pragas que atacavam as plantações, concorrência com produto importado, oscilações na oferta de insumos da produção, custos de transporte, além dos desafios da atuação em outras etapas do beneficiamento industrial.


(1) In: Lycurgo Santos Filho. "Uma comunidade rural do Brasil antigo".
(2) Zezé era irmão de Fidelcino, casado com uma irmã de Isaura.

sábado, 16 de junho de 2012

"Rapadura é doce mas é dura"



Faustino já estava casado quando seus pais e suas irmãs deixaram o sertão da Bahia para viver novas experiências no norte de São Paulo. Mas, em 1894, morre Camila, a esposa, no seu quinto parto. Faustino volta para Livramento com os filhos, deixando a Barra da Estiva, onde permanece seu cunhado Juvêncio Rizério, bem estabelecido. Faustino passa a morar na Fazenda Capoeira, de sua propriedade, localizada no distrito de Itanagé. Depois se muda para a Lagoa do Negro, no município de Brumado. Ali, viveu com Sergia e teve várias filhas.

Neste ínterim, Francisca de Vasconcellos Bittencourt, sua prima, e de quem fora noivo antes de se casar com Camila, também se torna viúva. Surge assim, a possibilidade de retomarem os planos de casamento, àquela altura perdidos no tempo. Ambos já estavam maduros e cada um deles tinha filhos de seus relacionamentos anteriores. O fato de não ser legalmente casado com Sergia permitiu que uma nova união se formalizasse entre Francisca e Faustino, e uma solução matrimonial fosse encontrada para a sua antiga companheira, mãe de suas filhas.

Faustino e Francisca vão morar em Itanagé, e ali nasceu Leônidas. Entretanto, não deixava de visitar os outros filhos e netos, em Brumado (1).

Nas visitas à Lagoa do Leite, ele preferia dormir na rede, mais por necessidade do que por excentricidade. Costuma dizer que tinha "urina solta" por causa de um "chá de grama" que bebera para se curar de uma contenção urinária. Resumindo, para não acordar na cama molhada pela manhã, dormia na rede, e assim não passava constrangimento, especialmente com Miúda.

O avô era muito querido e, certa vez, ao chegar de viagem para mais uma visita, Faustino trouxe de presente para os netos três delícias feitas com o melaço da cana - uma  rapadura batida pendurada numa cordinha, como uma cabacinha. Os netos se aproximaram, e em volta dele, todos animados e ansiosos esperavam pelo privilégio de serem os escolhidos.

À medida que o avô entregava os singelos presentes, a ansiedade se dissipava para uns e aumentava para outros. Afinal, havia muito mais netos que presentes. O primeiro escolhido foi José Osório. "Tá certo, afinal ele é afilhado". O segundo, "foi para Miguel, filho de tio Camilo". "É agora! Deixou o último prá mim, só prá caçoar". Mas ele se voltou em outra direção... "o terceiro foi para um filho de tio Juca" (2). O avô procurou atender a todos, escolhendo um neto de cada um dos filhos.

Todos os netos comeram um pedaço da guloseima, mas entre as lembranças ficou o sentimento de não estar entre os escolhidos naquele dia. Coisa de menino, que só quando se é avô se tem a compreensão mais completa.


(1) Faustino que nasceu entre 1860-70, faleceu entre o final da década de 1930 e início da década de 1940.
(2) Juca, ou José Rizério de Moura, também era filho de Camila e Faustino e foi o único a não carregar o sobrenome Vasconcelos.



domingo, 10 de junho de 2012

Xexéu


Depois de viver cerca de dez anos em Caetité, Isaura volta para Brumado em 1961. Desta vez ela e Osório vão viver na cidade. Residiram em várias casas até que em setembro de 1965, passam a morar na casa da Praça Anastácio.

Aos oitenta anos, Osório tinha enfrentado complicações na saúde que o deixaram debilitado. Gostava de ficar sentado numa cadeira na calçada da sua casa onde sempre passava alguém conhecido, e embora já não escutasse muito bem, trocava uns dedos de prosa. 

Certa feita, lá estava Osório. Bengala na mão, batendo-a no chão cadenciadamente, quando se aproxima seu afilhado David, irmão de Bia, Zezito e Antônio. Osório comenta: - esses filhos de Compadre Liô gostam de aumentar as coisas... Isto custou tanto... Comprou por tanto... Tudo mentira...

Diná, ao seu lado, alertou: "pai, é David."
- "E eu não sei... Tudo mentiroso!"

David, no entanto, já conhecia o estilo do velho Osório e não se importou com o comentário.

Num desses dias, passa um cidadão e o cumprimenta:
- "Bom dia Seu Osório!"

Osório olhou a pessoa, com cara de quem estava estranhando, mas não disse nada.
- "Não está se lembrando de mim?" Insistiu.
- "Não, não estou."
- "Sou eu, José Amorim, filho de Aurélio Padre Amorim, que mora na Lagoa do Rancho."
- "Filho de Aurélio Amorim? Não estou lembrando não", repete o octogenário.

O cidadão se aproxima de Osório e lhe diz no ouvido o seu apelido de infância, que não lhe agrada, e pelo qual não gostava de ser chamado, mas que àquela altura parecia ser a única forma de ser lembrado:
- "Sou eu, Xexéu!"

Então Osório, falando de modo que todos na roda de amigos e parentes escutassem, falou:
- "Xexéu!? É você? Por que não disse logo: é Xexéu, e pronto! Xexéu!"

Acabrunhado, o Amorim saiu arrependido de ter revelado a sua identidade "secreta", aquela pela qual todos o conheciam, mas que se recusava a aceitar.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Wenceslau


Wenceslau Rizério de Araújo nasceu em 1822, ano da declaração de Independência do Brasil, e faleceu em 4 de agosto de 1899 no alto sertão da Bahia. Era um homem de muitas posses e seus bens haviam sido em grande parte pertencentes ao Barão da Lagoa, com quem compartilhava relações familiares. 

A rigor não há um nobre que tenha recebido honraria com essa denominação, e sim Barão de Vila Velha, numa referencia ao atual município de Livramento de Nossa Senhora. Este título foi concedido em maio de 1883, a Joaquim Augusto de Moura(1828-1898) pelo Imperador D.Pedro II em retribuição a vultosa doação de 10 contos de réis que fizera para a "instrução pública" daquela localidade. O Barão, filho de Martiniano de Moura e Albuquerque, era proprietário de muitas terras e gado. Deixando a região diamantina, tomou a direção de São Paulo e finalmente do Rio de Janeiro, onde faleceu.

Pois bem, com a migração de Joaquim Augusto para o Sul, Wenceslau ficou com parte das fazendas sob a condição de pagar um valor previamente ajustado - estimado em 300 contos - tão logo fosse obtendo recursos resultantes da venda de gado vacum. A esposa de Wenceslau, Constança Rosa de Moura, era prima do barão, permitindo deduzir que estas eventuais relações familiares tenham contribuído para os termos em que o negócio foi estruturado.

Wenceslau chegou à Fazenda São Gonçalo por volta de 1840, e ali passou a viver com sua família, em terras banhadas pelo Rio São João, no Iguatemi (atual município de Livramento). A casa grande era muito movimentada, não apenas pelo entra e sai de pessoas interessadas em comprar e vender, ou pelo corre-corre dos escravos  a cumprir mandados. Era agitada também em função da quantidade de netos que por ali circulava, filhos e filhas de Camila e Augusta, ambas falecidas prematuramente em consequência de complicações dos inúmeros partos. Camila deu luz a Osório, Bela, Virgílio, José Moura, Camilo Manoel e Manoel Camilo.  Registra-se que entre todos os netos que criava, o que comandava a trupe era Fidelcino, filho de Augusta, que também trouxe ao mundo Eujácio, Jaime, José Augusto e Raquel.

O fato é que com os falecimentos de Camila e Augusta, os esposos, respectivamente Faustino de Vasconcellos Bittencourt e Juvêncio Alves dos Santos, não ficaram com a guarda das crianças, ou pelo menos da maioria delas. Dona Constança Rosa de Moura e Wenceslau tiveram 12 filhos: Juvêncio, Florindo, Theódulo, Sebastião, Marcolino, Augusta, Adelaide, Camila, Bela, Deolinda, Maria Carlota e Ana Rizério.


Wenceslau era filho de Fernando Rizério de Araújo e Maria Carlota de Souza Freire, sendo que está teria morado no casarão de São Gonçalo. Conta-se que certa vez um parente teria perguntado a alguém familiarizado com a casa grande: - quem é essa aí que fica mandando em tudo aqui na cozinha? E imediatamente, ouviu como resposta: - fala baixo, essa é a mãe de  Ioiô! 

Considerado por alguns como um dos fundadores de Brumado, Wenceslau foi um desbravador, um incentivador da indústria e do artesanato, tendo contribuído para o desenvolvimento da agricultura e pecuária. Criador de gado, produtor de mandioca e seus sub-produtos, possuía escravaria para a lida dos negócios.

A partir de julho de 1899, Wenceslau passou a integrar a Guarda Nacional com o posto de Tenente-Coronel Comandante da Comarca de Ituassú (como escrito no Diário Oficial) tendo o seu filho, Florindo Rizério de Moura, a patente de capitão ajudante. 

No fim da vida, viu seu filho Marcolino assumir o comando da cidade. Marcolino Rizério de Moura governou o município por 17 anos (1908-1912; 1927-1929; 1938-1948). Em mandatos alternados, Fidelcino Augusto dos Santos, filho de Augusta e neto de Wenceslau, administrou Brumado por outros cinco anos(1922-1923 e 1932-1934).

  
NVJ 16/05/2012. Atualizado 21/07/2021


Nota:
A despeito das referências à ascendência italiana do seu sobrenome, que seria derivado de Rizielli ou Rizieri, deve-se comentar a existência de uma versão para o surgimento deste sobrenome. Segundo esta outra narrativa, o Barão de Vila Velha era um aficionado da numerologia, doutrina que desde tempos remotos reúne seguidores, e segundo a qual o resultado da análise do nome de uma pessoa sob certo prisma dos números pode favorecer ou, ao contrario, criar embaraços na vida de quem o carrega.
Assim, teria o Barão procedido uma análise numerológica do nome de Wenceslau, concluindo que deveria acrescentar àquela designação que ganhou em batismo, o sobrenome Rizério, resultando por completo: Wenceslau Rizério de Araújo. 
Este registro, que se faz por compor a história oral, não guarda consistência desde que se obteve o registro do nascimento de uma filha de Wenceslau, onde contava o nome dos avós, inclusive do sobrenome paterno, Rizério.

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