domingo, 2 de setembro de 2012

OS MOURA, de Boa Sentença



A família Moura há muito se estabeleceu no alto sertão da Bahia. Entre as fazendas que se instalaram estão a fazenda Santa Rita, Lagoa o Timóteo, em Boa Sentença - a mais célebre de todas, hoje conhecido distrito de Marcolino Moura, município de Rio de Contas. A atual denominação é uma homenagem das mais apropriadas àquele que foi um dos filhos que obteve a maior projeção nacional por sua atuação parlamentar, militar e também social pelo seu engajamento no movimento abolicionista: o Coronel Marcolino de Moura e Albuquerque.

Os Moura tiveram destacada atuação política no desenvolvimento da região, seja em Rio de Contas, Livramento de Nossa Senhora, Condeúbas, Barra da Estiva ou Brumado. Entre aqueles que se notabilizaram nacionalmente estão ainda os barões Joaquim Augusto de Moura (Barão de Vila Velha), e José Hegídio de Moura de Albuquerque (Barão de Santo Antônio da Barra), primos em primeiro grau. Antes deles, tornaram-se famosos seus pais, Manuel Justiniano e Martiniano de Moura e Albuquerque, pois tomaram parte em uma disputa familiar contra os Cangussu que resultou em muitas mortes, conforme inúmeros relatos históricos (1).

Regionalmente, os Moura tiveram papel destacado, a exemplo dos irmãos Juvêncio e Marcolino Risério de Moura - filhos de Constança Rosa de Moura e Wenceslau Risério de Araújo. Juvêncio e Marrcolino foram intendentes, respectivamente, de Barra da Estiva e Brumado, por mais de uma oportunidade.

As famílias Moura e Albuquerque e Vasconcellos se uniram algumas vezes ao longo do último século e meio. Da união de Martiniano de Moura e Albuquerque e Francisca Joaquina de Carvalho Vasconcelos nasceram Ana Amélia Moura e o Barão de Vila Velha, também conhecido como Barão da Lagoa.  Francisca Joaquina era filha de Timóteo Vasconcelos. Ana Amélia Moura casou-se com o Major Francisco Vasconcellos Bittencourt e tiveram filhos: Auta Amélia, Augusto, Maria Delfina, Idália, Eliza e Francisco Vasconcellos Bittencourt Filho.

Outro enlace entre as famílias ocorre  entre Theódulo de Moura e Albuquerque, filho do citado Manuel Justiniano, e Amanda Castro Vasconcelos.

O Major Francisco Vasconcellos Bittencourt é referido em estudos genealógicos como filho de outro Francisco de Vasconcellos Bittencourt, supostamente, um dos três irmãos que chegaram dos Açores e se estabeleceram nas Minas de Rio de Contas. 

Já em São Paulo, casaram-se Gabriel de Vasconcellos Bittencourt, filho de José e Filomena, e Auta de Moura Albuquerque, filha de Antônio Martiniano e Auta Rosa.

Por fim, entrelaçam-se os Moura e Vasconcellos no casamento de Camila e Faustino. Ela, filha de Constança Rosa e Wenceslau; ele, Faustino de Vasconcellos Bittencourt, também filho de Rodrigo e Umbelina. Daquela união nasceram Osório, Bela, Camilo, Virgílio e José.

A este relato segue uma descrição de toda a árvore genealógica dos Moura a partir do patriarca Martiniano José de MouraMagalhães até os seus bisnetos, num total de oitenta e um familiares. Não se trata de um levantamento conclusivo, tendo sido construído por familiares, sem que se tenha à disposição certidões, testamentos ou documentos de natureza assemelhada. Submete-se, assim, à crítica para sugestões, complementos e correções.

Sobre o patriarca registra-se uma passagem histórica documentada em artigo acadêmico acerca de uma demanda jurídica que teve Martiniano com uma ex-escrava sua, Martinha, cuja alforria ele quis reverter(2)


Martiniano José casou-se com uma Albuquerque, Maria Efigênia. Esta, por sua vez, filha de Bernarndo de Matos e Albuquerque e Lizarda Liberata da Vitória Rocha, que foram proprietários de amplas terras na região. Martiniano José era proveniente das Minas Gerais não havendo registro de outros Moura ancestrais a ele em Rio de Contas (3).


(1)   Sobre o assunto ver o romance de Afrânio Peixoto, "Sinhazinha"; os estudos em "A História de Castro Alves", de Pedro Calmon; e de Lycurgo Santos Filho: "Uma comunidade rural do Brasil antigo". Manuel Justiniano de Moura era pessoa influente na região. Em 1831 era Juiz conforme dissertação de mestrado em História pela UFBA de Nanci Patricia Lima Sanches, intitulada ” Os livres pobres sem patrão nas Minas do Rio das Contas/Ba – Século XIX (1830-1870)”

(2) Veja em http://vasconcelosbahia.blogspot.com.br/2012/08/marcolino-moura-o-abolicionista.html Os referidos estudos: "Senhores nos bancos dos réus" são de Ricardo Tadeu Caíres Silva.

(3) Informações sobre a família Moura Albuquerque também são encontradas no livro de Mozart Tanajura "História de Livramento: a terra e o homem", 2003, Coleção Cidades da Bahia.


DESCENDENTES DE MARTINIANO JOSÉ DE MOURA MAGALHÃES
(Alterada em 08/01/2018 com as informações do Inventário de Sebastião José Silva Meira casado com Maria Carlota Moura e Albuquerque)

1. MARTINIANO JOSÉ DE MOURA MAGALHÃES (I)
MARTINIANO JOSÉ casou-se com MARIA EFIGÊNIA DA ROCHA E ALBUQUERQUE e tiveram os seguintes filhos:

2     M    i     JOSÉ HONÓRIO DE MOURA E ALBUQUERQUE

3     M    ii    MANUEL JUSTINIANO DE MOURA E ALBUQUERQUE

4     M    iii   MARTINIANO DE MOURA E ALBUQUERQUE

5     F     iv   MARIA CARLOTA DE MOURA E ALBUQUERQUE


2. JOSÉ HONÓRIO DE MOURA E ALBUQUERQUE (MARTINIANO JOSÉ DE MOURA MAGALHÃES)


3. MANUEL JUSTINIANO DE MOURA E ALBUQUERQUE (MARTINIANO JOSÉ DE MOURA MAGALHÃES)
MANOEL JUSTINIANO casou-se com  AUTA ROSA DE MEIRA E MOURA (AUTA ROSA MEIRA DE MOURA E ALBUQUERQUE) e tiveram os seguintes filhos:

6    M    i      JUVENCIO DE MOURA E ALBUQUERQUE

7    M    ii     TEÓDULO DE MOURA E ALBUQUERQUE

8    M    iii    FULGÊNCIO DE MOURA E ALBUQUERQUE
 
9    M    iv     MARCOLINO DE MOURA E ALBUQUERQUE

10  M    v      ANTONIO MARTINIANO DE MOURA E ALBUQUERQUE

11  M    vi     JOSÉ HEGÍDIO DE MOURA E ALBUQUERQUE

12  M    vii    MANOEL JUSTINIANO DE MOURA E ALBUQUERQUE FILHO

13  M    viii   AUGUSTO DE MOURA E ALBUQUERQUE

14  M    ix     MARCELINO DE MOURA E ALBUQUERQUE

15  F     x      CAMILA AUGUSTA DE MOURA E ALBUQUERQUE

16  F     xi     MARIA ROSA DE MOURA E ALBUQUERQUE

17  F     xii    ANA DE MOURA E ALBUQUERQUE

18  F     xiii   BELA DE MOURA E ALBUQUERQUE

19  F     xiv   AUTA DE MOURA E ALBUQUERQUE

20  M    xv   FLORINDO DE MOURA E ALBUQUERQUE

21 M    xvi   HONÓRIO DE MOURA E ALBUQUERQUE

22  M   xvii   HERCULANO DE MOURA E ALBUQUERQUE


4. MARTINIANO DE MOURA E ALBUQUERQUE (MARTINIANO JOSÉ DE MOURA MAGALHÃES)
MARTINIANO casou-se com FRANCISCA JOAQUINA DE CARVALHO VASCONCELOS e tiveram filhos:

23  M    i       JOAQUIM AUGUSTO DE MOURA E ALBUQUERQUE

24  F     ii      ANA AMÉLIA DE MOURA E ALBUQUERQUE

25  F     iii     MARIA FLORINDA DE MOURA E ALBUQUERQUE



5.  MARIA CARLOTA DE MOURA E ALBUQUERQUE (MARTINIANO JOSÉ DE MOURA MAGALHÃES)
MARIA CARLOTA casou-se com SEBASTIÃO JOSÉ SILVA MEIRA e tiveram sete filhos:

26  M    i       SEBASTIÃO

27  F     ii      MARIA 

28  F     iii     CÂNDIDO

29  M    iv     JOSÉ

30  F     v      CONSTANÇA ROSA DE MOURA

31 F     vi      FLORA

32 F     vii     ANNA

6.  JUVÊNCIO DE MOURA E ALBUQUERQUE (MANUEL JUSTINIANO DE MOURA E ALBUQUERQUE, MARTINIANO JOSÉ DE MOURA MAGALHÃES)


7.  THEÓDULO DE MOURA E ALBUQUERQUE (MANUEL JUSTINIANO DE MOURA E ALBUQUERQUE, MARTINIANO JOSÉ DE MOURA MAGALHÃES)
THEÓDULO casou-se com AMANDA CASTRO VASCONCELOS e tiveram os seguintes filhos:

33  F     i       ADÉLIA DE MOURA VASCONCELOS

34  F     ii      ANA DE MOURA VASCONCELOS



8.  FULGÊNCIO DE MOURA E ALBUQUERQUE (MARTINIANO JOSÉ DE MOURA MAGALHÃES, MANOEL JUSTINIANO DE MOURA E ALBUQUERQUE). Filhas:

35  F     i      ANA DE MOURA E ALBUQUERQUE

36  F     ii     ADELAIDE DE MOURA E ALBUQUERQUE

37   F    iii    BELA DE MOURA E ALBUQUERQUE


9.  MARCOLINO DE MOURA E ALBUQUERQUE (MANUEL JUSTINIANO DE MOURA E ALBUQUERQUE, MARTINIANO JOSÉ DE MOURA MAGALHÃES)
MARCOLINO casou-se com AMÉLIA LANDULFO MEDRADO e tiveram um filho:

38   M   i      AUTO MARCOLINO DE MOURA MEDRADO


10. ANTONIO MARTINIANO DE MOURA E ALBUQUERQUE (filho de MANUEL JUSTINIANO DE MOURA E ALBUQUERQUE (filho de MARTINIANO JOSÉ DE MOURA MAGALHÃES)AUTA ROSA DE MEIRA E MOURA E ALBUQUERQUE.
ANTONIO MARTINIANO casou-se com MARIA DELFINA DE MOURA E ALBUQUERQUE e tiveram filhos:

39   M     i     ANTONIO MARTINIANO DE MOURA E ALBUQUERQUE (FILHO)
40   F     ii    ANA AMÉLIA DE MOURA ALBUQUERQUE
41   F     iii   BELA ROSA MOURA DE ABREU
42   F     iv   AUTA DE MOURA BITTENCOURT


11.  JOSÉ HEGÍDIO DE MOURA E ALBUQUERQUE, BARÃO DE SANTO ANTÔNIO DA BARRA (MANUEL JUSTINIANO DE MOURA E ALBUQUERQUE, MARTINIANO JOSÉ DE MOURA MAGALHÃES).  Não se casou.


12.  MANOEL JUSTINIANO DE MOURA E ALBUQUERQUE FILHO (MANUEL JUSTINIANO DE MOURA E ALBUQUERQUE, MARTINIANO JOSÉ DE MOURA MAGALHÃES).


13.  AUGUSTO DE MOURA E ALBUQUERQUE (MANUEL JUSTINIANO DE MOURA E ALBUQUERQUE, MARTINIANO JOSÉ DE MOURA MAGALHÃES)
AUGUSTO casou-se com Maria Medrado e tiveram filhos:

43  F    i      LAURA MEDRADO DE MOURA

44  F    ii     ROSA MEDRADO DE MOURA

45  F    iii    MARIA JOSÉ DE MOURA E ALBUQUERQUE

46  M   iv    CARLOS DE MOURA E ALBUQUERQUE

47  M   v     AUGUSTO DE MOURA E ALBUQUERQUE FILHO

48  F    vi    ALZIRA MEDRADO DE MOURA


14.  MARCELINO DE MOURA E ALBUQUERQUE (MANUEL JUSTINIANO DE MOURA E ALBUQUERQUE, MARTINIANO JOSÉ DE MOURA MAGALHÃES)

15.  CAMILA AUGUSTA DE MOURA E ALBUQUERQUE (MANUEL JUSTINIANO DE MOURA E ALBUQUERQUE, MARTINIANO JOSÉ DE MOURA MAGALHÃES)
CAMILA casou-se com JOSÉ CORDEIRO E SILVA e tiveram uma filha:

49   F   i     RACHEL AUGUSTA DE MOURA E SILVA


16. MARIA ROSA DE MOURA E ALBUQUERQUE (MANUEL JUSTINIANO DE MOURA E ALBUQUERQUE, MARTINIANO JOSÉ DE MOURA MAGALHÃES)


17. ANA DE MOURA E ALBUQUERQUE (MANUEL JUSTINIANO DE MOURA E ALBUQUERQUE, MARTINIANO JOSÉ DE MOURA MAGALHÃES)
ANA casou-se com APIO CLÁUDIO DA ROCHA MEDRADO e tiveram filhos:

50   M  i     ARMANDO APIO DE MOURA MEDRADO

51   M  ii    JOSE FRANCISCO DE MOURA MEDRADO

52   M  iii   MANUEL JUSTINIANO DE MOURA MEDRADO

53   M  iv   ELÍZIO DE MOURA MEDRADO

54   M  v    OSCAR DE MOURA MEDRADO

55   F   vi    ISAURA DE MOURA MEDRADO

56   F   vii   ALZIRA DE MOURA MEDRADO

57   F   viii MARIETA DE MOURA MEDRADO

58   F   ix   ANITA DE MOURA MEDRADO

59   F   x    OLGA DE MOURA MEDRADO


18. BELA DE MOURA E ALBUQUERQUE (MANUEL JUSTINIANO DE MOURA E ALBUQUERQUE, MARTINIANO JOSÉ DE MOURA MAGALHÃES)


19. AUTA DE MOURA E ALBUQUERQUE (MANUEL JUSTINIANO DE MOURA E ALBUQUERQUE, MARTINIANO JOSÉ DE MOURA MAGALHÃES)


20. FLORINDO DE MOURA E ALBUQUERQUE (MANUEL JUSTINIANO DE MOURA E ALBUQUERQUE, MARTINIANO JOSÉ DE MOURA MAGALHÃES)
FLORINDO casou-se com AUTA AMÉLIA DE MOURA E ALBUQUERQUE


21. HONÓRIO DE MOURA E ALBUQUERQUE (MANUEL JUSTINIANO DE MOURA E ALBUQUERQUE, MARTINIANO JOSÉ DE MOURA MAGALHÃES)


22. HERCULANO DE MOURA E ALBUQUERQUE (MANUEL JUSTINIANO DE MOURA E ALBUQUERQUE, MARTINIANO JOSÉ DE MOURA MAGALHÃES)


23. JOAQUIM AUGUSTO DE MOURA E ALBUQUERQUE, O BARÃO DE VILA VELHA (MARTINIANO DE MOURA E ALBUQUERQUE, MARTINIANO JOSÉ DE MOURA MAGALHÃES)
JOAQUIM AUGUSTO casou-se com CARLOTA JOAQUINA DE MATOS


24. ANA AMÉLIA DE MOURA (MARTINIANO DE MOURA E ALBUQUERQUE, MARTINIANO JOSÉ DE MOURA MAGALHÃES)
ANA AMÉLIA casou-se com o MAJOR FRANCISCO VASCONCELLOS BITTENCOURT e tiveram filhos:

60   F   i     AUTA AMÉLIA DE MOURA BITTENCOURT

61   M  ii    AUGUSTO DE MOURA BITTENCOURT

62   M  iii   FRANCISCO VASCONCELLOS BITTENCOURT FILHO (1)

63   F   iv   MARIA DELFINA DE MOURA BITTENCOURT

64   F   v    IDÁLIA DE MOURA VASCONCELLOS

65   F   vi   ELIZA DE MOURA BITTENCOURT


25. MARIA FLORINDA DE MOURA E ALBUQUERQUE (MARTINIANO DE MOURA E ALBUQUERQUE, MARTINIANO JOSÉ DE MOURA MAGALHÃES)
 MARIA FLORINDA casou-se com FAUSTINO FOGAÇA DE SOUZA


26. SEBASTIÃO DE MOURA (MARIA CARLOTA DE MOURA E ALBUQUERQUE, MARTINIANO JOSÉ DE MOURA MAGALHÃES)


27. MARIA EFIGÊNIA DE MOURA (MARIA CARLOTA DE MOURA E ALBUQUERQUE, MARTINIANO JOSÉ DE MOURA MAGALHÃES)


28.  ERMELINDA DE MOURA (MARIA CARLOTA DE MOURA E ALBUQUERQUE, MARTINIANO JOSÉ DE MOURA MAGALHÃES)


29. JOSÉ HONÓRIO DE MOURA (MARIA CARLOTA DE MOURA E ALBUQUERQUE, MARTINIANO JOSÉ DE MOURA MAGALHÃES)
JOSÉ HONÓRIO casou-se com MARIA CÂNDIDA GUIMARÃES e tiveram os seguintes filhos:

66   M   i    JOSÉ HONÓRIO DE MOURA JÚNIOR

67   F    ii    MARIA CARLOTA GUIMARÃES DE MOURA

68   F    iii   UMBELINA GUIMARÃES DE MOURA

69  M    iv   NOLASCO GUIMARÃES DE MOURA

70  F     v    OLÍMPIA GUIMARÃES DE MOURA

71  F     vi   ELIZA GUIMARÃES DE MOURA

72  F    vii   MINELVINA GUIMARÃES DE MOURA

73  F    viii  HERCÍLIA GUIMARÃES DE MOURA

74  F    ix    IDÁLIA GUIMARÃES DE MOURA

75  F    x     ISABEL GUIMARÃES DE MOURA


30. CONSTANÇA ROSA DE MOURA (MARIA CARLOTA DE MOURA E ALBUQUERQUE, MARTINIANO JOSÉ DE MOURA MAGALHÃES)
CONSTANÇA casou-se com WENCESLAU RISÉRIO DE ARAÚJO e tiveram filhos:

76  M   i     FLORINDO RISÉRIO DE MOURA

77  M   ii    TEÓDULO RISÉRIO DE MOURA

78  M   iii   JUVÊNCIO RISÉRIO DE MOURA

79  M   iv   SEBASTIÃO RISÉRIO DE MOURA

80  M   v    MARCOLINO RISÉRIO DE MOURA

81  M   vi   AUGUSTA RISÉRIO DE MOURA

82  F    viii ADELAIDE RISÉRIO DE MOURA

83  F    ix   CAMILA RISÉRIO DE MOURA

84 F    x    BELA RISÉRIO DE MOURA

85  F    xi   DEOLINDA RISÉRIO DE MOURA

86  F    xii  MARIA CARLOTA RISÉRIO DE MOURA

87  F    xiii ANNA RISÉRIO DE MOURA


(1) Nascido a 25 de maio de 1855, conforme registro de batismo na Igreja do Santíssimo Sacramento da Vila e Minas do Rio de Contas

sábado, 18 de agosto de 2012

OS FILHOS DE RODRIGO



O Major Rodrigo de Vasconcellos Bittencourt e a sua esposa Umbelina saíram das Minas de Rio de Contas em fins do século XIX, deixando o filho Faustino em Livramento (Vila Velha) e tomando o rumo de Casa Branca, em São Paulo. Anos depois, por volta de 1914,  Faustino visita o pai levando consigo o seu filho mais velho, Osório, recém casado. Não há contudo outros relatos de contatos sistemáticos entre os ramos “baiano” e “paulista” da família.
Ao que tudo indica esta migração esteve relacionada ao crescimento econômico daquela região sulista, ao passo que a atividade econômica no alto sertão da Bahia, nem de longe, apresentava o vigor da época do ciclo do ouro.
Os reais motivos que levaram Rodrigo e família a migrar e as relações de parentesco que estabeleceram ao longo da vida é uma questão que ficou sem resposta por muito tempo. Aos poucos, no entanto, foram surgindo indícios que, se não respondem de todo as dúvidas e questionamentos, vão lançando luz sobre o tema e permitindo que se conheça um pouco mais sobre os parentes que se foram. A partir de conversas com parentes mais experientes e idosos e de documentos encontrados recentemente, foi possível chegar a um grande número de nomes de pessoas, homens e mulheres, que adotavam o sobrenome Vasconcellos Bittencourt, seja na Bahia quanto em São Paulo.
Sobre os ancestrais de Rodrigo sabe-se que três irmãos Vasconcellos Bittencourt vindo dos Açores haviam aportado em terras baianas no fim do século XVIII, início dos século XIX.
Do lado dos seus descendentes, contudo, identificou-se, de início, três filhas, com base em informações obtidas em cartório de registro de casamento ou nascimento de Tambaú (SP). São elas: Eugenia, Umbelina e Camilla, todas nascidas nas Minas do Rio de Contas. Posteriormente, o achado de antigas anotações familiares deram conta da existência de mais irmãos: Zacarias, Fernando e Osório - todos "de Vasconcellos Bittencourt".
Posteriormente, surge outra irmã, aparentemente a mais velha - Virgínia, nascida em 1867 e morta precocemente em 1900, quando suas irmãs mais novas sequer haviam  se casado.
Sobre estes irmãos e irmãs, obteve-se informações escassas, exceto quanto a Osório Vasconcellos Bittencourt, que atuou nos Correios e Telégrafos de Casa Branca. Mensagens trocadas com um dos seus descendentes – um neto – confirma as informações de que conviveram com Osório, suas irmãs Eugenia ( também identificada como Tia Dona)  e Umbelina. Osório, filho de Rodrigo, teve dez filhos.
O nome de Osório constam ainda de decretos de nomeação para membros da Guarda Nacional, em Casa Branca. Nomeações estas comuns no final do século XIX e inicio do século XX.
No caso de Virgínia, a informação vem mais completa. Uma árvore genealógica diligentemente construída por seu bisneto, traz registros fotográficos de Rodrigo e Umbelina, assim como as datas de nascimento(1845) e morte(1937) de Rodrigo, o que até então eram somente estimativas. Informa a mesma fonte ter Virgínia Vasconcellos Bittencourt (1867-1900) casado com César Cândido Spinola (1866-1936) ainda em Rio de Contas, e que tiveram cinco filhos: Octacílio (1888-1910), Osvaldo, Ormesinda (1891-1968), Almerinda (1893-1972) e Maria (1901-     ). Destes, pelo menos Octacílio, o primeiro filho de Virgínia e César Cândido, nasceu em Rio de Contas.


Umbelina

Rodrigo




Os irmãos Rodrigo e José Vasconcellos Bittencourt (Cel. Cazuza) e seu primo Augusto eram proprietários da Fazenda Terra Vermelha, onde casaram as filhas e se viu nascer os netos e netas de Rodrigo e Umbelina.
Em Casa Branca, deve-se observar que há variados registros históricos sobre a ocupação da região por açorianos, entre os quais um decreto real de D. João VI, datado de 25 de outubro de 1814, determinando a construção de vinte e quatro casas para ilhéus oriundos daquele arquipélago português. Os colonos teriam como objetivo o desenvolvimento da agricultura da região.
A presença de açorianos naquela municipalidade paulista pode significar que houve motivações adicionais para o deslocamento da família desde o sertão baiano, ou seja, outras ligações familiares ou de aproximação com patrícios portugueses, pode ter estimulado a migração.
Por enquanto é o que temos. Abaixo, apresenta-se um resumo dos descendentes de Rodrigo e Umbelina a partir de todas as informações coletadas. Adota-se na transcrição uma sistemática características dos estudos genealógicos, relacionando pais, filhos, netos.

1.        RODRIGO DE VASCONCELLOS BITTENCOURT (I)
e UMBELINA DE VASCONCELLOS MAGALHÃES e tiveram os seguintes filhos:

2       M   i     FAUSTINO DE VASCONCELLOS BITTENCOURT
3       F    ii    VIRGÍNIA DE VASCONCELLOS MAGALHÃES
4       F   iii    EUGÊNIA DE VASCONCELLOS MAGALHÃES
5       F   v    UMBELINA DE VASCONCELLOS MAGALHÃES
6       F   iv   CAMILLA DE VASCONCELLOS MAGALHÃES
7      M   vi   OSÓRIO DE VASCONCELLOS BITTENCOURT
8      M   vii   ZACARIAS DE VASCONCELLOS BITTENCOURT
9      M   viii  FERNANDO DE VASCONCELLOS BITTENCOURT

2. FAUSTINO DE VASCONCELLOS BITTENCOURT (RODRIGO DE VASCONCELLOS BITTENCOURT)
       FAUSTINO casou-se com CAMILA RIZÉRIO DE MOURA e tiveram os seguintes filhos:
10     M    i     OSÓRIO RIZÉRIO DE VASCONCELOS
11     M    ii    JOSÉ MOURA DE VASCONCELOS
12     F    iii   BELA RIZÉRIO DE VASCONCELOS
13     M   iv   VIRGÍLIO RIZÉRIO DE VASCONCELOS
14     M   v    CAMILO MANOEL RIZÉRIO DE VASCONCELOS
15     M   vi   MANOEL CAMILO
       
FAUSTINO teve um relacionamento com SERGIA e tiveram as seguintes filhas:
16      F    i     ANÉSIA
17      F    ii    MARIQUINHA
18      F    iii   ZINZINHA
19      F    iv   FILDELCINA

FAUSTINO casou-se com FRANCISCA MARIA DE VASCONCELLOS CASTRO e tiveram como filho:
20      M    i    LEÔNIDAS

3 VIRGÍNIA DE VASCONCELLOS MAGALHÃES (RODRIGO DE VASCONCELLOS BITTENCOURT)  nasceu em 1867, Rio de Contas (BA) e faleceu provavelmente em 1900, em  Tambaú (SP),
VIRGÍNIA casou-se com CESAR CANDIDO SPINULA nascido em Salvador em 25 de dezembro de 1866 e falecido em 25 de JUL de 1942, em Casa Branca (SP)
VIRGINIA (nome de casada VIRGÍNIA DE VASCONCELLOS SPINULA) E CÉSAR tiveram os seguintes filhos:

21    M  i   OTACÍLIO DE VASCONCELLOS SPINULA
22    M  ii   OSVALDO DE VASCONCELLOS SPINULA
23    F   iii  ORMESINDA DE VASCONCELLOS SPINULA
24    F   iv  ALMERINDA DE VASCONCELLOS SPINULA
25    F   vi  MARIA DE VASCONCELLOS SPINULA

4 EUGÊNIA DE VASCONCELLOS MAGALHÃES (RODRIGO DE VASCONCELLOS BITTENCOURT) nasceu em aproximadamente 1884, em Rio de Contas (BA).
EUGÊNIA casou-se com MANOEL BALBINO NOGUEIRA DE CARVALHO nascido aproximadamente em 1883
EUGÊNIA e MANOEL BALBINO tiveram os seguintes filhos:

26     M   i   JOSÉ VASCONCELLOS NOGUEIRA DE CARVALHO
27     F    ii UMBELINA DE VASCONCELLOS CARVALHO
28     F   iii ISAURA LUZIA CARVALHO Nascida em  16 NOV 1912 em Tambaú (SP).

5. UMBELINA DE VASCONCELLOS MAGALHÃES (Filha) OU UMBELINA DE VASCONCELLOS CARVALHO (RODRIGO DE VASCONCELLOS BITTENCOURT)  nascida em aproximadamente 1884 em Rio das Contas (BA)
UMBELINA casou-se com ANTÔNIO NOGUEIRA DA SILVEIRA em 27 MAI de 1909 em Tambaú (SP) e tiveram como filho:

29  M  i  OTACÍLIO NOGUEIRA DE CARVALHO nasceu em 20 APR 1912 in Tambaú (SP).

6. CAMILA DE VASCONCELLOS BITTENCOURT (RODRIGO DE VASCONCELLOS BITTENCOURT)  nasceu em  1890 em Rio de Contas, Bahia
CAMILLA casou-se em 24/JUN/1908, aos 18 anos, com JOSÉ GARCIA DE FIGUEIREDO, 21 anos, solteiro, lavrador, natural de Casa Branca, filho legítimo de JOSÉ GARCIA CERQUEIRA LEAL e D. MARIANNA CANDIDA DE FIGUEIREDO
CAMILLA E JOSÉ tiveram os seguintes filhos:

30      F   I     ISOLINA nascida em 01 AUG 1909 in Tambaú (SP)
31      M  ii    CARINO nascido em 05 FEB 1911 in Tambaú (SP)
32     M   iii   NICANOR nascido em JAN 1913 in Tambaú (SP). Falecido em 22 OUT 1913 in Tambaú (SP)
33     M  iv   ANTENOR DE FIGUEIREDO nascido em 09 SEP 1914 em Tambaú (SP). Falecido em 30 APR 1984 in Assis (SP)

7      OSÓRIO DE VASCONCELLOS BITTENCOURT (RODRIGO DE VASCONCELLOS BITTENCOURT) nascido em Rio de Contas em fins do século XIX.
OSÓRIO Casou-se com AMANDA DE VASCONCELLOS BITTENCOURT e tiveram os seguintes filhos:

34    F  i      ALBERTINA DE VASCONCELLOS BITTENCOURT
35   F  ii     ALICE DE VASCONCELLOS BITTENCOURT
36    F  iii    CORINA DE VASCONCELLOS BITTENCOURT
37    F  iv    LEONILA DE VASCONCELLOS BITTENCOURT
38    F  v     NAIR DE VASCONCELLOS BITTENCOURT
39    F  vi    GENNY DE VASCONCELLOS BITTENCOURT
40    F  vii   APARECIDA DE VASCONCELLOS BITTENCOURT
41   M  viii   ALVINO DE VASCONCELLOS BITTENCOURT
42   M  ix    AUGUSTO DE VASCONCELLOS BITTENCOURT
43   M  x     PLINIO DE VASCONCELLOS BITTENCOURT

8      ZACARIAS DE VASCONCELLOS BITTENCOURT(RODRIGO DE VASCONCELLOS BITTENCOURT) nascido em Rio de Contas entre 1875-1890
         ZACARIAS casou-se com OLINDA MEIRA BITTENCOURT e tiveram os seguintes filhos:
         44  M  i      LAURINDO DE VASCONCELLOS BITTENCOURT
         45  M ii      OLAVO DE VASCONCELLOS BITTENCOURT
         46  M iii     ELÍDIO DE VASCONCELLOS BITTENCOURT
         47  F  iv     MATILDE DE VASCONCELLOS BITTENCOURT CARVALHO
         48  F  v      EROTILDE DE VASCONCELLOS BITTENCOURT OLIVEIRA

         49  F  vi     CLOTILDE  DE VASCONCELLOS BITTENCOURT
         50  F  vii    DOMETILDE DE VASCONCELLOS BITTENCOURT

9      FERNANDO DE VASCONCELLOS BITTENCOURT (RODRIGO DE VASCONCELLOS BITTENCOURT) nascido provavelmente em Rio de Contas em fins do século XIX.
         FERNANDO casou-se com ORDÁLIA GARCIA LEAL e tiveram filhos:

           51    M   i      ALVINO VASCONCELOS LEAL
         52    M   ii     FERNANDO VASCONCELOS LEAL
         53    M   iii    ALÍPIO VASCONCELOS LEAL
         54    M   iv    EDUARDO VASCONCELOS LEAL
         55    M   v     ALCIDES VASCONCELOS LEAL
         56    M   vi    ADELINO VASCONCELOS LEAL
         57    F    vii   CLARICE VASCONCELOS LEAL
         58    M   viii  ARLINDO VASCONCELOS LEAL
    


terça-feira, 14 de agosto de 2012

MARCOLINO MOURA, O ABOLICIONISTA


Marcolino Moura, natural das Minas do Rio de Contas, viveu entre o segundo quartel do século XIX e inicio do século XX, descendendo de abastada e poderosa família na região do Alto Sertão da Bahia. Embora fossem os Moura possuidores de grande número de escravos, este fato não impediu que Marcolino se destacasse no panorama nacional como um líder abolicionista.

Um registro importante sobre a prática escravista da família Moura tem como figura central o seu avô Martiniano José de Moura Magalhães. Era abril de 1817, e Marcolino só viria ao mundo 21 anos depois, mas naquele dia, o seu avô mandou chamar várias pessoas da sua relação de amizade para testemunharem a elaboração da carta de alforria de uma sua escrava chamada Martinha.

Alforria esta bem paga, pois custara a Martinha não apenas o seu trabalho, a humilhação da perda da liberdade e os maus tratos costumeiros, mas também teve que pagar a quantia de 130 mil réis! Uma indenização paga ao seu "dono", e aceita por ele em razão do "bom comportamento" e da forma como a escrava havia tratado ano após ano "com amor e zelo os filhos pequenos de seu senhor".

Para formalizar o ato, compareceram escrivão, testemunhas e não faltou, inclusive, recibo da operação, ficando tudo devidamente registrado em cartório. Dias depois, entretanto, aconselhado por um dos seus filhos, resolve voltar atrás alegando ser insuficiente o valor recebido como pagamento.

Martinha, não só fugiu como ingressou na Justiça, que diante da documentação apresentada e depoimento das testemunhas do ato de alforria, não teve outra alternativa senão dar ganho de causa à ex-escrava, garantindo-lhe a liberdade (1).

Se o neto chegou a conhecer esta história não se sabe, mas o certo é que desde cedo Marcolino (1838-1910) teve contato com as ideias libertárias que circulavam pela Escola de Direito de Recife, onde ingressou no início da década de 1860. Apesar de afastar-se em 1865, para lutar como voluntário na Guerra do Paraguai, retomou os estudos, e dois anos depois, concluiu o curso, tornando-se bacharel.

Na Escola de Recife foi contemporâneo de Joaquim Nabuco (1849-1910), Castro Alves (1847-1871) e Rui Barbosa (1849-1923), todos eles abolicionistas.

Membro do Partido Liberal e da Sociedade contra Escravidão, Marcolino foi Deputado Provincial na Bahia, em seguida Deputado Federal (1877, 1878-1881), Deputado Constituinte (1890-1893), e novamente Deputado Federal (1894-1896, 1897-1899, 1900-1902, 1903-1905). No total, desenvolveu a atividade parlamentar por quase 20 anos.

O surgimento das candidaturas abolicionistas, não apenas a de Marcolino, se baseava na visão de que as mudanças deveriam vir através do Parlamento. Por isso mesmo, o movimento contra a escravidão se desloca dos teatros para as ruas, com a organização de bazares, quermesses, reuniões, passeatas, procissões cívicas, comícios. Este foi também o caso de Joaquim Nabuco, Jose Mariano, José do Patrocínio, e outros. “Confiantes na permeabilidade do sistema político às suas demandas, os abolicionistas investiram forte numa mudança por dentro das instituições políticas, num ciclo de mobilização dos votos." (2)

Nabuco e o grupo de abolicionistas ao qual se vinculava baseavam-se na defesa de uma solução negociada, no âmbito do parlamento, sem rupturas ou violência. Neste sentido, merece registro o debate no Congresso em torno do "Projeto sobre o elemento servil" do qual participavam entre outros Joaquim Nabuco e Marcolino Moura, em março de 1879. Tratava-se de discutir uma proposta que instituía um imposto sobre o rendimento auferido com a atividade produtiva com a participação de escravos. Com o tributo arrecadado seria constituído um Fundo de Emancipação para a supressão gradual da escravidão.

Neste debate, Nabuco fundamentava a proposta, sendo contestado pelo deputado conservador Martinho Campos alegando que justamente os proprietários de escravos é que não deveriam pagar impostos, pois "o escravo não representa senão o trabalho do senhor", nenhum caiu do céu, e arremata: "temos a pior das propriedades". Neste momento, Marcolino Moura sai em apoio a Nabuco e declara: "é a pior das propriedades, mas os senhores a defendem com todas as forças" (3).

Marcolino não foi pródigo em discursos em sua passagem pela Câmara Federal. Certamente, seus pronunciamentos mais contundentes estiveram relacionados à defesa de sua iniciativa de lei sobre a aposentadoria dos militares que atuaram na Guerra do Paraguai. Sobre a questão da escravidão, conforme registrado em uma breve descrição das suas atividades elaborada pela Câmara dos Deputados, sobressaem suas intervenções sobre "O elemento servil", nas sessões de 4 de setembro e 12 de novembro de 1880 (4).

Não sendo um homem de muitas palavras, seus apartes eram breves. Numa publicação editada pelo Congresso e dedicada aos discursos de Joaquim Nabuco acerca da Abolição registram-se em suas 553 páginas, sete intervenções de Marcolino Moura, nenhuma delas se estendendo por mais de uma frase (5).

Se não foi homem de palavras, no entanto, não se pode dizer que não fora homem de ação, o que se pode constatar nas notícias sobre a sua participação na Guerra do Paraguai. Sobre este o assunto ver em http://vasconcelosbahia.blogspot.com.br/2012/05/um-moura-na-guerra-do-paraguai.html

Marcolino Moura foi indiscutivelmente um abolicionista, além das suas intervenções no Congresso, integrou o Grupo Abolicionista, participou da criação da Sociedade Brasileira contra a Escravidão e do jornal Abolicionismo.

Para compreender a natureza deste movimento que levou jovens de famílias escravistas a abraçar o abolicionismo, tomemos as palavras de Pedro Calmon. O renomado historiador baiano considera que a Abolição foi "um movimento aristocrático". Foram os interessados materialmente na exploração do escravo, a ala juvenil da casta proprietária, uma parte da "nobreza agrícola" dos cafezais e dos canaviais, que golpeou "com o braço robusto, o regime servil" (6).

Parte da explicação para o envolvimento de Marcolino Moura contra a escravidão, inclusive obtendo apoio eleitoral de figuras proeminentes do alto sertão como o Coronel Exupério Canguçu, pode estar na perda da importância relativa da prática escravista na região com a migração de grandes contingentes para São Paulo, o que fez diminuir em 55,1% a população escrava da Bahia, somente entre 1864 e 1874 (7).

Por tudo isto cabe resgatar a importância deste baiano da Boa Sentença, terra dos Moura, atualmente distrito do município de Rio de Contas, batizado com o nome do ilustre filho Marcolino.

NVJ 14/08/2012

Fontes:
(1)       "Senhores nos bancos dos réus", de Ricardo Tadeu Caíres Silva.
(2)       "A teatralização da política: a propaganda abolicionista" Angela Alonso - Anais do XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH • São Paulo, julho 2011
(3)       Joaquim Nabuco - Discursos Parlamentares (1879-1889), Instituto Progresso Editorial, São Paulo
(4)       Câmara dos Deputados, pesquisa elaborada a partir do SILEG – Módulo Deputados, em 27/03/2012.

(5)       Perfis Parlamentares 58, edição de 2010, com seleção de discursos elaborada por Gilberto Freire.
(6)       A Abolição. In: A Revista do Arquivo Municipal". São Paulo. Pedro Calmon, 1938, citado em tese de Ricardo Tadeu Caires Silva "caminhos e descaminhos da Abolição", 2007.
(7)       Bahia Sec. XIX, uma Província do Império. Kátia Mattoso. RJ, 1992. 

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